sábado, 15 de janeiro de 2011

Quando eu crescer quero ser... Político!


Quando se é criança, muitas vezes, sonhamos com uma profissão para definir nosso futuro, geralmente, mudamos muito ao longo do tempo até a hora de realmente escolhermos a que melhor se encaixa. Já quis ser médica, professora de educação física, advogada, historiadora (do estilo de Indiana Jones), até cantora e atriz!

Você conhece alguma criança que sonha em ser político? Existe essa profissão? Antigamente as pessoas eram “alguma coisa” e se tornavam político, mas continuavam exercendo essa “coisa” depois que o mandato acabava. Segundo o cientista político Jair Pinheiro são muitas as motivações que levam uma pessoa a entrar na carreira política, como ambição pessoal, interesses corporativos e ideológicos e muitas vezes, a manutenção do status da família na política.

Hoje, há tantos políticos de carteirinha, que pulam de um cargo para o outro sem exercer de fato a sua profissão. Não sabemos mais ao certo o que os movem. Vejamos dois exemplos de “políticos de profissão”.

Nosso próprio presidente da república, Luís Inácio Lula da Silva, tem a profissão de torneiro mecânico, mas está afastado de fábricas há muito tempo devido a um acidente de trabalho. Desde então, participa da política ativamente, seja como sindicalista, como fundador do Partido dos Trabalhadores, como deputado federal e agora como presidente.

Outro exemplo, José Serra, atual governador do estado de São Paulo. Apesar de não ter diploma universitário, Serra é doutor em economia pela Cornell University, dos EUA. Foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), professor da Unicamp (quando voltou do exílio pós-ditadura militar), por onde é aposentado. Desde então foi secretário de Economia e Planejamento de São Paulo, deputado federal, senador, ministro do planejamento, ministro da saúde, prefeito, e agora governador de São Paulo. Muitos desses cargos Serra não terminou, para se candidatar a outro cargo político.

Na política vemos muitos exemplos dessa mistura de cargos. É filho de político querendo se eleger nas costas do pai, político alternando cargo com esposa, irmão, cunhado, político deixando cargo na mão de vice para almejar outro ainda maior, e muitos que achamos em qualquer esquina. 

De acordo com Jair Pinheiro, essa mudança brusca de cargos que a maioria dos políticos faz atualmente e a manutenção de um nome em cargos políticos por tanto tempo “não é bom para a democracia, pois uma de suas visões é a disputa pelo poder entre candidatos com diferentes programas, o que acaba embaralhado quando os políticos mudam de partidos e cargos sem critério, apoiados nesses programas”.

Para o cientista político Carlos Henrique Gileno existem dois perfis no cenário da política atual “aquele que está preocupado com a coletividade e aquele que está pensando apenas em viabilizar seus projetos particulares”.

Agora, em época de eleições municipais, cabe a nós, eleitores, prestar atenção nessas pessoas que não buscam o bem-estar social e sim o bem-estar próprio, mantendo-se na política apenas para continuar com status e o salário alto.
E se existe a profissão político? É a população que deve decidir isso, pois somos nós os patrões desses trabalhadores “temporários”.

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