Todo mundo ouve falar das pesquisas que são feitas em época de eleição, mas ninguém sabe ao certo como elas são realizadas. Geralmente, não se conhece ninguém que foi entrevistado, o que leva a crer que essas pesquisas são intencionadas, com um resultado comprado. Mas não é bem assim. As empresas especializadas em produzir as pesquisas eleitorais (e qualquer outro tipo de pesquisa) têm um código de ética e seriedade, que não deixam que nada externo interfira no processo, nem no resultado final da pesquisa.
Uma pesquisa de intenção de voto, geralmente, é contratada por algum veículo de comunicação (emissoras de televisão, rádio, jornal e internet) ou por um partido concorrente. Assim que é contratada, se estabelece o seu foco, prazos, conteúdo, abrangência, identificação da amostra (tamanho, técnica de amostragem, seleção da amostra). Logo em seguida são definidos os instrumentos de pesquisa, como questionário e planilhas, o treinamento dos pesquisadores, coleta de dados, checagem, processamento e a análise dos dados.
A empresa/instituição que pede a pesquisa define qual será a intenção dela. Quem escolhe as técnicas utilizadas para o processo de produção é a empresa contratada. No primeiro passo da pesquisa eleitoral – processo normal – ocorre um sorteio ou indicação para escolher quais municípios farão parte do levantamento de dados, e depois os bairros e pontos onde serão aplicadas as entrevistas. A partir da escolha do local, é selecionado aleatoriamente quem serão os entrevistados, de acordo com sexo, faixa etária e grau de escolaridade. Para isso, normalmente são utilizados dados obtidos junto ao IBGE (instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do município escolhido.
A amostra média utilizada em uma pesquisa eleitoral é cerca de 2.500 entrevistados, mas não há mínimo, máximo ou ideal para que a pesquisa tenha representatividade. O número de entrevistados é calculado baseado no grau de precisão que se deseja, no nível de detalhamento na análise dos resultados e depende do tempo e recursos disponíveis. Marcos Coimbra, diretor nacional do Vox Populi (empresa conceituada especializada em pesquisas), explica que “como as pesquisas precisam ser economicamente viáveis, as amostras são sempre calculadas para ser maximamente eficientes. Por isso, é normal que não ultrapassem 2000 casos em pesquisas nacionais e menos que isso em pesquisas de menor abrangência. Assim, é muito difícil que uma pessoa determinada seja entrevistada”.
Para Marcos Coimbra “nas pesquisas de opinião pública, as amostras são definidas sempre em função do universo que se pretende conhecer. Se é o conjunto do eleitorado, por exemplo, é necessário que a amostra seja o mais parecida com o universo. A amostra é como um retrato em pequena escala do universo”.
Todas as pesquisas utilizam a amostra de probabilidades, por isso apresentam uma margem de erro amostral. Esse erro é calculado baseado no seu tamanho e heterogeneidade. O que geralmente é levado em conta na hora de se definir um resultado é uma estimativa de erro máxima para uma amostra aleatória simples. Fica assim, estabelecido limites para mais ou para menos em relação ao valor obtido.
Tipos e confiança
Há dois tipos de pesquisas realizadas em época de eleição: a qualitativa e a quantitativa:
- Qualitativa: são exploratórias, ou seja, permitem que o entrevistado pense livremente sobre o tema da pesquisa. Apontam aspectos subjetivos do resultado, conseguindo isso de maneira espontânea dos entrevistados. É usada quando se busca a natureza geral de alguma questão, como por exemplo, “Por que você acha que determinado candidato deve ganhar?” e “Qual a sua opinião sobre a qualidade do governo atual?”.
- Quantitativas: utilizam questionários, com resultados generalizados e projetados em cima da amostra. Ela traz hipóteses a respeito do assunto pesquisado, sendo mais concreta e com menos erros de interpretação. Geralmente são utilizadas por um grande espaço de tempo, pois permitem traçar um perfil de informação. É mais utilizada para apurar opiniões definidas, como por exemplo, “Quem você pretende votar na próxima eleição?” e “Você considera esse governo bom, regular ou ruim?”.
Em pesquisas eleitorais são usados os dois tipos. Em um primeiro momento, a qualitativa, para se ter uma idéia de como está a “cabeça” do eleitorado. No segundo momento, a pesquisa quantitativa é a mais ideal, pois analisa a intenção de voto, sendo mais concreta que a anterior.
Confiança
As empresas que fazem as pesquisas possuem um código de ética que garantem a confiabilidade delas. Segundo Márcia Cavallari, diretora executiva do Ibope Opinião, “a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) congrega todas as empresas de pesquisa do Brasil e segue rigorosos códigos de ética, portanto, o primeiro item a observar é se a empresa é ou não filiada à ABEP.
Além disso, em ano eleitoral, todas as pesquisas feitas para divulgação devem ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral, ou nos Tribunais Regionais Eleitorais, ou nos Cartórios Eleitorais, dependendo do âmbito do pleito. Elas precisam ainda trazer informações como amostra, período de realização, número de registro no Tribunal, empresa que realizou a pesquisa, empresa contratante, estatístico responsável, valor pago, controles de qualidade realizados, etc.”.
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