Começou uma nova Era em Bauru? Será que 2009 será a demonstração do que é um governo realmente eficiente e inteligente? A maioria acredita que sim. O novo prefeito chegou cheio de gás para assumir todos os problemas da cidade – que não são poucos, por sinal. “A cidade e sua população têm grande expectativa que o prefeito eleito inaugure uma forma de gestão mais ativa e participativa”, afirma o economista Reinaldo Cafeo.
Rodrigo Agostinho: 31 anos, ambientalista, ex-vereador, ex-Secretário do Meio Ambiente, cabelo comprido, simpático e demonstrando muita vontade, esse é o mais novo prefeito de Bauru.
As dúvidas giram em torno da sua capacidade de realmente resolver ou amenizar os problemas. De acordo com Cafeo, “é fundamental que haja ao menos vontade de realizar e se não realizar que haja transparência em dizer por que não. Nos últimos mandados de prefeitos as promessas se transformavam em desculpas e o que efetivamente tinha que ser realizado ficava em segundo plano”. A desculpa do governo anterior era a falta de verba. Nada era feito devido à falta de dinheiro para investir. Agora, para esta gestão não pode surgir essa desculpa. Há o problema de dinheiro, óbvio. Mas isso não deve ser desculpa para não se fazer nada.
Foi divulgado na imprensa local que Agostinho tem cerca de R$24 milhões “sobrando” no caixa da Prefeitura. O saldo total do município é de R$67 milhões, desses, R$43,2 milhões já possuem destino certo, como investimentos nos mais diversos setores (educação, saúde, cultura...), ou seja, o “resto” fica a livre escolha do governo municipal.
Dentre os muitos problemas a serem resolvidos na cidade o principal na visão geral é o asfaltamento e manutenção das ruas e avenidas – que deverá ser um dos destinos dessa “sobra”. Para se ter uma idéia, Bauru tem aproximadamente 3.500 quadras de ruas de terra. E das 11 mil quadras que são asfaltadas, cerca de 8 mil estão com o mesmo asfalto há mais de 15 anos, causando buracos e ruas desniveladas.
Além da questão do asfalto – já tão antigo na cidade (tanto a questão quanto o asfalto) – há outros cenários que devem ser revistos. A saúde, por exemplo, é um dos setores mais precários da cidade. A proposta do novo governo é melhorar a qualidade de atendimento e a quantidade de médicos disponíveis nas unidades de saúde. No final da gestão anterior, foi aprovada uma lei que regulariza a contratação de médicos temporários (com tempo de serviço pré-estabelecido), o que pode vir a amenizar esse problema. Mas ainda assim, isso só não resolve. Deve inclusive, ser revisto a questão dos salários dos médicos que atendem na cidade, pois isso é decisivo para a permanência do profissional, já que algumas cidades da região de Bauru oferecem uma quantia um pouco mais favorável.
Dois setores que também estão defasados, principalmente nas regiões mais pobres da cidade, são a habitação e saneamento. Existem muitas moradias irregulares que devem ser revistas e muitas regiões onde o problema do esgoto a céu aberto acarreta deficiências não só na higiene, mas, sobretudo na saúde da população que vive no local. Um dos exemplos desses problemas é o bairro Ferradura Mirim, que inclusive foi o primeiro local visitado pela “caravana” de secretários, organizada por Agostinho, logo na primeira semana de trabalho.
Áreas como educação, transporte e economia são tão importantes quanto qualquer outra. Na construção e reforma de EMEI’s e EMEF’s já surgiram obstáculos. O planejamento para este ano não deverá ser cumprido, pois ainda há obras a serem terminadas de planejamentos anteriores. E claro, a prefeitura não possui verba para cumprir todas as metas. No transporte, os moradores pedem a revisão dos itinerários e rotas dos ônibus.
Quanto à economia bauruense, é essencial que haja equilíbrio e inteligência. Para Reinaldo Cafeo a economia de Bauru não sofre grandes problemas: “[a economia] É estável porque é pulverizada, ou seja, não somos reféns de nenhum setor ou empresa especificamente. O maior empregador é a própria prefeitura. O alicerce é o setor terciário que abriga o comércio e serviços em geral. São poucas grandes empresas e muitas pequenas e médias. Precisamos de um plano de desenvolvimento econômico, com alicerce em um plano industrial e apoio as empresas existentes. Precisamos induzir o crescimento e o setor público deve ser o grande articulador”, afirma o economista.
Por fim, além desses problemas ainda há outros e surgirão novos. O que se espera é que a nova gestão, considerada moderna e cheia de vida, consiga caminhar da melhor maneira possível, contornando as pedras já tão conhecidas pelo caminho.
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