quinta-feira, 17 de março de 2011

Agostinho garante: “Vou trabalhar muito para o Ferradura”

Jornal do Ferradura
Regina Colon e Lucas Soares

No dia 05 de outubro deste ano aconteceu o primeiro turno das eleições no Brasil. Aqui em Bauru concorriam ao cargo de prefeito da cidade os candidatos: Caio Coube (PSDB), Rodrigo Agostinho (PMDB), Rosa Izzo (PDT), Gazzetta (PV), Márcia Camargo (PSTU) e José Leme (PHS).

Ficaram para concorrer ao segundo turno das eleições municipais os candidatos do PSDB e do PMDB, Caio e Rodrigo, respectivamente. E foi somente no final do dia 26 de outubro que a cidade de Bauru conheceu seu novo prefeito: Rodrigo Agostinho, com 54,30% dos votos.

O Jornal do Ferradura conversou com Agostinho, para saber sobre suas futuras ações dentro do bairro, de forma a melhorar a situação dos moradores do Ferradura. Confira a seguir a entrevista com o novo prefeito de Bauru.

Jornal do Ferradura – Sabemos que o Ferradura possui inúmeros problemas que o governo atual não resolveu. Quais são os seus planos para que finalmente, esses problemas se resolvam?

Rodrigo Agostinho - Eu acompanho há muito tempo [o bairro]. O nosso primeiro desafio será a regularização fundiária, que está no nosso plano de governo. A proposta é regularizar a situação dos lotes, que uma parte já é da prefeitura, mas a maior parte ainda é particular. O segundo objetivo é trabalhar na questão da infra-estrutura. Há um programa de financiamento do Ministério das Cidades (governo federal) para habitação de baixíssima renda e vamos apresentar projetos para aprovação. Além dessas duas há outros problemas. Mas esses são os mais importantes. Há extrema necessidade de regularizar o local, por que tudo está ligado a isso. Entregando os documentos dos lotes para os moradores, eles mesmos vão transformando sua realidade. As pessoas não querem mudar de bairro, elas querem sair da irregularidade. Tem morador que não constrói um barraco de alvenaria por que tem medo de que removam seu barraco, pois o terreno não é dele. A partir do momento que você dá um documento para a pessoa, assegurando-a de que ela é dona do seu lote, ela vai melhorar sua condição. Tem algumas áreas que vamos ter que remover os barracos e construir casa, mas a maioria é problema de irregularidade mesmo. Outro ponto importante é na questão dos programas sociais. Eu quero inserir no bairro um programa de saúde da família, saúde preventiva, agente comunitário, de planejamento familiar para as adolescentes,

J.F. - Tem alguma data para regularizar o bairro? Ouvimos já faz um tempo essa promessa e nada foi feito até então...

R.A. - A maior parte do procedimento para a regularização fundiária já foi feito. No Plano Diretor consta a transformação de toda aquela área em ZEI (Zona Especial de Interesse Social), que é um requisito básico para a regularização, segundo o estatuto da cidade. Agora, falta fazer o trabalho de cartório, que é a subdivisão dos lotes, a individualização das matrículas. Cada morador tem que receber a sua matrícula referente ao seu lote. Há uma parte da área que ainda é particular e aí vamos ter que desapropriar ou negociar com a família proprietária. É nisso que vamos ter que trabalhar. Fácil não é, mas nós temos que fazer para poder garantir uma dignidade um pouco maior para aquela população.

J.F. - Quanto ao problema de emprego? Muitos moradores sofrem preconceitos por morar no Ferradura e assim não conseguem empregos dignos.

R.A. - Temos que criar alternativas de geração de emprego e renda e isso tem que ser feito paralelamente a um projeto social. Tem muita família ali que podia estar recebendo o Bolsa Família e não recebe por conta de defeitos no cadastro da prefeitura. Hoje são 8.504 famílias que recebem o Bolsa Família em Bauru, mas nós temos que 13 mil famílias que estariam aptas mas não entraram no programa. Muitos moradores dali estão nessa situação. Só que não adianta propor apenas o assistencialismo. A gente tem que entrar com alguma ação de geração de emprego e renda. Uma das idéias é ampliar as ações de incentivo para a instalação de empresas ali no Parque Paulista que é vizinho. Tenho certeza que se a gente fizer asfalto, garantir infra-estrutura ali no Parque Paulista, outras empresas vão se instalar no bairro. E o Parque Paulista é vizinho do Ferradura.
A ampliação da coleta seletiva também ajudaria em parte por que grande parte das famílias que atuam na triagem de material na central do Jardim Redentor são famílias oriundas do Ferradura. Você tem o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), que é vizinho do Júlio Nóbrega, que não tem uma equipe mínima para atender aquela população de maneira adequada, então isso também precisa ser trabalhado.

J.F. - Outro problema muito importante é a questão da educação. As mães tem que levar as crianças em creches longe do bairro, e assim muitas acabam ficando fora da escola.

R.A. - Está previsto no programa do orçamento da Secretaria de Educação a reforma de 22 escolas de educação infantil e a construção de 5 novas escolas, e é muito provável que uma delas seja no Ferradura, uma escola de educação infantil de 3 meses à 5 anos. É uma coisa que vamos avaliar e se realmente estiver previsto será feito.

J.F. - E o problema do asfalto da Avenida Cruzeiro do Sul, que entra no bairro. A Secretaria de Obras explicou que o asfalto não entrou no bairro por problema de verba da própria secretaria.

R.A - É o seguinte. Tem 1 quadra de terra depois da entrada do Ferradura que é pública e que a secretaria não fez por causa de dinheiro. Só que uma boa parte do Ferradura não é da prefeitura e aí não se pode asfaltar. Falta dinheiro sim, mas para comprar essas terras e não para asfaltar.


J.F. - Mas a iluminação pública e a água já chegaram no bairro, mesmo este não sendo regularizado, por que não o asfalto?

R.A. - A iluminação é da CPFL, que tem um programa hoje que dá dignidade para essas famílias, e permite oferecer iluminação pública para locais não regularizados. A mesma coisa o DAE, ele fornece água por que tem pessoas morando lá que precisam de água limpa. Tanto o DAE quanto a CPFL podem levar seus benefícios para áreas não regularizadas, outro tipo de benefício, o prefeito que responde. Então, se tiver dinheiro, faz o resto. Compra, desapropria, regulariza e faz o asfalto. A gente vai buscar recursos do Ministério da Cidades para fazer. Tudo isso está no nosso plano de governo.

J. F. - No caso do transporte, os moradores reclamam que o horário do ônibus é irregular e quando chove ele não entra no bairro, deixando muitos moradores na mão.

R.A. – Ônibus não vai ter em todas as ruas. A meta de transportes é que se tenha 1 ponto de ônibus a cada 4 metros. Estamos longe disso. E não é só no Ferradura que o carro não entra por causa do asfalto, nos outros bairros mais pobres também, mas não é justificativa. Só que isso depende de resolver os outros problemas de regularização do bairro e colocar asfalto nas ruas.

J.F. - Quanto a saúde? Há previsão para que se abra mais um posto de saúde?

R.A. - A quinta Conferência da Saúde priorizou a unidade de saúde no Tangarás, não no Ferradura, mas que atenderia toda essa região. Hoje uma parte do Tangarás vai no Geisel e a parte do Ferradura vai no Redentor. Mas a idéia é que a unidade do Geisel vire pronto-atendimento, para facilitar a vida das pessoas que vão até o pronto-socorro central, mas isso é um projeto. E eu quero inserir um programa de saúde da família, dentro do bairro. É urgente um programa de saúde, pois a maior demanda de saúde no Ferradura é de criança. Precisamos de projetos para diminuir essa demanda.

J.F. - Quais as suas estratégias para agir nos bairros periféricos?

R.A. - São realidades muito diferentes, cada lugar é um lugar. Tem bairros que a solução é regularizar, como o caso do Jardim Vitória, Jardim Nicéia, Ferradura. Tem bairro que vamos ter que remover a população, reassentar o terreno. Tem morador do Jardim Ivone que está morando do lado da erosão. Se vier uma chuva ele cai em um buraco de 10 metros de altura e vai morrer. Então nós vamos ter que construir uma realidade para cada um.

J.F. - Há o apoio do governo federal para resolver os problemas, não só do bairro, mas da cidade?

R.A. - Eu vou trabalhar muito para ter apoio federal. Hoje Bauru está impedido de receber recursos do governo federal por dois motivos. Falta a Prefeitura honrar com algumas dívidas, da divida federalizada e falta a certidão de regularidade previdenciária. A expectativa é grande para que o atual prefeito resolva isso ainda este ano, se não, vamos resolver isso no começo do ano.

J.F. - Logo no começo de 2009 vão começar as mudanças para os moradores do Ferradura?

R.A. - Nós vamos trabalhar muito para cumprir nosso plano de governo que prioriza as áreas mais pobres da cidade, como o Ferradura. Há uma realidade social muito triste naquela região e nós vamos tentar mudar esse quadro. Tive semana passada no Ministério das Cidades, discutindo um programa de habitação social, que vai abrir agora em janeiro o edital. Ano passado Bauru cadastrou um projeto que é do Parque Real, para 34 barracos. Pretendo aumentar esse número para atender o maior número de bairros.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A verdade de Maria Rita


Em 2002, Maria Rita causou um fervor na imprensa ao aparecer no espetáculo de Chico Pinheiro, "Meia-Noite, Meio-Dia", no Supremo Musical, em São Paulo. Um ano depois, lançou seu primeiro álbum, fazendo grande sucesso junto ao público.
Agora, com três discos lançados, dvd’s, muitos fãs e vários prêmios (entre eles: 3 Grammy’s, Disco de Platina, DVD de ouro), Maria Rita conquistou o seu lugar no cenário musical, independente de comparações.

Antes de começar a cantar você se formou em Comunicação Social nos EUA. Quais eram as suas aspirações nessa época? Pensava em exercer o jornalismo?
Quando entrei na faculdade procurava o curso de jornalismo, mas fui informada que aquele curso seria mais voltado para jornais, e meu lance era mesmo revista e afins. Comunicações Sociais é, naquela faculdade, mais abrangente, oferecendo um diploma que me permitiria trabalhar em campos diferentes. Logo no primeiro ano desisti de jornalismo. Comunicações me abriu para o entretenimento, para direito, para outras coisas que, àquela altura, eram mais sedutoras.

Na mídia vemos muitas reportagens apelativas, programas sem muito sentido e jornais visando mais o lucro do que a qualidade. Com isso, quem perde é a população, que não pode fazer muita coisa para mudar essa situação. Qual a sua opinião em relação a esse panorama da imprensa? Há maneiras de reverter essa situação?
No sentido moral da questão, não há dúvidas que se pode reverter essa situação. No sentido prático, acho mais delicado pelo simples fato da culpabilidade não achar o seu lugar, ou seja, ninguém é culpado. Eu sou da escola que acredita que a mídia tem uma responsabilidade com seu público (questão moral e ética da discussão). Porém, a mídia segue dizendo que dá ao público o que o público quer. Fica complicado reverter enquanto essa mentalidade leviana permanecer dominando a mídia. E, vale lembrar, quando falamos em "mídia" não estamos falando de uma coisa concreta: a "mídia" são as pessoas que a faz. Falamos de mídia como um algo concreto quando deveríamos falar daqueles que fazem a informação.

O Brasil não investe tanto em cultura como o desejado, mas há sinais de que esse cenário possa estar mudando. Você como participante da cultura brasileira acha que isso realmente está acontecendo ou essas ações não são muito concretas?
Eu sou otimista e acho que qualquer passo é um passo adiante. O que não pode é parar, paralizar, amendontrar. Estamos indo em direção a algum lugar. Mas é um caminho longo até um ideal, estamos recomeçando nossa história cultural, depois de anos de amarras.

A música brasileira muda constantemente, com revelações surgindo e sumindo no cenário nacional. A sua carreira dura já faz alguns anos e tem fôlego e fãs para muito mais. Qual deve ser o “jogo de cintura” do artista para se manter vivo e ativo?
A sua verdade.

As pessoas pensam que ser cantor não dá trabalho algum, é só subir no palco e cantar. No seu Twitter você cita várias reuniões e outros compromissos. Como é a sua rotina quando não tem shows? Outras responsabilidades além de subir no palco e cantar...
Profissionalmente, todas: site, cenário, programação de carreira, entrevistas, reunião com gravadora, figurino, audição, estudo de música, leitura, enfim. Pessoalmente, também todas: mãe, dona-de-casa... É correria pura, mas sou ligada no 220...

A cantora Ana Carolina, em uma declaração logo após um show seu, disse que acha muito legal a comunicação e a ligação que você tem com o público e fãs. Como foi essa conquista? Ter uma grande influência na vida de pessoas que você nem conhece mudou alguma coisa na sua forma de pensar?
Não... Eu fui criada por artista (meu pai) e essa relação de respeito com o fã sempre existiu e sempre foi conversada em casa. A responsabilidade de fazer parte de pessoas as quais eu nem conheço, como você colocou, sempre foi muito falado em casa. A responsabilidade de fazer o seu melhor e mais um pouco para aquele público que economiza uma grana para ir ao seu show, por livre e espontânea vontade, também. A relação com o fã sempre fez parte da minha vida, e eu aprendo muito só de olhar. Agora, a conquista, a qual você se referiu, é que, para mim, é, até hoje, um mistério... Prefiro não entender muito, mas às vezes me pego perguntando, "por que eu?" E por isso que é melhor não pensar muito, senão eu piro. Eu sou apenas um canal...

Você já está na estrada faz um tempo com a turnê Samba Meu, e percebemos que você se mostra mais leve, mais confiante com você mesma. O que vai tirar de toda essa experiência?
Eu nunca me senti insegura no palco. Frio na barriga sempre tenho, mas nunca insegurança. Sempre senti que o palco é a minha casa, é onde eu mais me sinto dona de mim. O que se vê hoje é decorrência de um amadurecimento na minha vida pessoal, de coisas minhas, uma serenidade que a maturidade e a maternidade estão me trazendo.

“Salve Geral”, a aposta brasileira



Quem mora em São Paulo se lembra exatamente onde estava no Dia das Mães de 2006,  quando vários presos deixaram suas celas e tomaram as ruas, livres, fazendo jus à ordem de mostrar quem é que manda. Ônibus incendiados, lojas invadidas e inúmeros postos policiais atacados. Esse cenário não assustou somente os milhões de moradores do estado de São Paulo. Todo o país – e o resto do mundo – observou atento. O medo de essa situação se espalhar era enorme. Depois de acompanhar todos os fatos, o carioca Sérgio Rezende, diretor de filmes consagrados, como “Zuzu Angel” e “Mauá – O imperador e o rei”, viu uma nova possibilidade. “Assistindo ao que acontecia, já tinha claro que esse seria meu próximo filme”, afirma ele. 

Cessaram os ataques – com ou sem acordo –, mas a idéia permaneceu e daí surgiu um filme concreto, porém não real. Rezende confirma o que vemos na tela: “Eu não retrato a realidade, minha matéria é a ficção, a poesia, com um viés de história de amor. Houve esse fato; aconteceu. O que me interessou foi que isso ocorreu no Brasil. Esse filme não dedura, não fala de ninguém, por que não existem personagens reais nele.”

“Salve Geral” conta a história de Lúcia, uma professora de piano da classe média, que após a morte do marido e outras situações que o filme não conta, precisa se adaptar a uma vida mais simples. Seu filho, Rafa, não aceita muito bem a nova situação e se envolve com o underground da noite paulistana. Em uma dessas noites, ele acaba participando de um crime pelo qual foi o principal responsável, e claro, vai parar na cadeia. A partir desse dia – que por sinal é Dia das Mães de 2005, se passa um ano de muitos acontecimentos dentro e fora da prisão. Lúcia conhece Ruiva, uma das comandantes do “Partido”, que tem como lema “Paz, Justiça e Liberdade”. O também chamado “Comando” – alusão ao PCC – vive uma briga de poder interna e ao mesmo tempo luta contra o sistema penitenciário insuficiente.
Sérgio Rezende tinha na cabeça uma idéia do filme que, segundo ele, não mudou quase nada do resultado final. “A idéia que a gente tinha no começo se realizou”, confirma.

(Coletiva de Imprensa do filme)

O filme surgiu realmente três meses depois dos ataques, durante uma viagem de carro. Repassando o que acompanhou na imprensa, o diretor se fixou em um detalhe que muitos tinham deixado passar: a importância das mulheres nos acontecimentos. “A presença da mulher nesse mundo retratado foi o que mais me estimulou. O centro do filme é o choque entre as duas grandes mulheres, Lucia e Ruiva.”

Junto com a jornalista e roteirista Patrícia Andrade, Rezende mergulhou nas pesquisas. Entrevistaram muitas pessoas, inclusive policiais, promotores e jornalistas que conheciam os fatos. Porém, apesar de retratar os bastidores do “Partido”, ele afirma que não conversou com nenhum preso envolvido. “Não achei necessário. Esses personagens estão aí, todo mundo conhece.”

Depois de esquematizar cada personagem e toda uma história, o roteiro final de “Salve Geral” estava pronto no começo de 2008. E as gravações já se iniciariam no segundo semestre do ano.

O projeto demorou para começar por necessidade de mais pesquisas e acabamento, mas também devido a presença da atriz Andréa Beltrão. “Escrevi o personagem de Lúcia para Andréa Beltrão. Só pensava nela, sem que ela soubesse e sem que eu soubesse se seria possível que fizesse o filme”, conta Rezende.

Quando você assistir a “Salve Geral”, de Sérgio Rezende, não vai encontrar muitas caras conhecidas. A não ser, é claro, que seja um grande freqüentador dos teatros paulistas. São 62 personagens com fala e a maioria veio dos palcos. Rezende explica o motivo: “Rostos desconhecidos, mas grandes artistas. Nunca cogitei atores não-profissionais. Na minha maneira de ver o cinema não vejo nenhum sentido nisso. Fui beber na maravilhosa cena teatral de São Paulo. Atores espetaculares, basicamente dedicados aos palcos, conhecidos e reconhecidos no meio teatral, mas sem o desgaste de imagem que a televisão gera.”

A intenção dos “rostos desconhecidos” é dar todo um mistério ao filme. A mais conhecida é mesmo a protagonista, Andréa Beltrão, escolhida a dedo pelo diretor. “Eu me senti muito honrada quando soube, mas não imaginava que fosse um papel tão rico. Quando li o roteiro pela primeira vez, fiquei maravilhada e comovida. Foi importante demais fazer esse filme. Depois de ‘Verônica’, é bom fazer ‘Salve Geral’ agora.”, declarou a atriz.

Outro grande destaque do longa é Denise Weinberg, que no começo da produção estava ao lado de Sérgio Rezende na escolha do elenco. “Foi um processo extremamente amador no melhor sentido, de que estava amando fazer aquilo. Há muitos excelentes atores de teatro que querem fazer cinema, mas os diretores não os conhecem", conta Denise.

Em busca de alguém para interpretar o personagem “Ruiva”, a advogada do PCC, encontrou a si mesma e fez um belíssimo trabalho. Rezende, inclusive, a elegeu a primeira-dama de “Salve Geral”, depois de tanta dedicação. Denise Weinberg assume essa posição: “Eu estou desde o comecinho desse filme. Estou orgulhosa de ter trazido essa moçada do teatro e do resultado final. Meu envolvimento é inevitável. ‘Salve Geral’ é um filhão nosso.”

O filme traz, como já dito, muitos atores desconhecidos do grande público, mas que deixaram a sua marca, com atuações fortes. Dois exemplos são os atores Lee Thalor e Michel Gomes. O primeiro interpreta o filho de Lúcia, que é responsável por mostrar o lado dos presidiários. É o primeiro papel de Lee no cinema, apesar de já ter recebido muitos prêmios no teatro. “No cinema você se comunica só com a câmera, então você tem que equalizar os sentimentos e expressões. Um gesto mínimo já diz muita coisa. Trabalhar essa diferença de medida foi muito gostoso", conta ele sobre a diferença entre teatro e cinema.

E Michel Gomes já não é estreante nas telonas. Além de participações em filmes como “Cidade de Deus” e “Cidade dos Homens”, fez o protagonista de “Última Parada 174”, de Bruno Barreto.

“Tentei fazer esse filme mais leve. Tive uma certa liberdade geral”, afirma Sérgio Rezende. Ele defende que escolheu uma maneira de filmar com um tom jornalístico, que reforçaria a narrativa do filme. “Nesse filme, a câmera não disse aos atores onde eles deveriam se colocar, nem como se movimentar. Pelo contrário, eles tiveram a liberdade de marcar suas posições e nosso trabalho era buscar as melhores soluções visuais a partir disso.”

O roteiro foi modificado por alguns e deixado inteiro por outros. Andréa Beltrão foi quem mais mudou. Segundo o diretor, todas as falas de Lúcia foram mudadas pela atriz. “Sempre tento aproximar a fala do personagem. A Lucia é misteriosa, não se expõe e tem uma habilidade para circular entre o lado positivo e o negativo. Então achei que as falas dela deveriam ser bem econômicas, precisas mesmo", defende Andréa.

Na direção de arte ficou Vera Hamburger, que coordenou todas as locações e os quase 20 cenários. Para fotografia, foi chamado Uli Burtin (de “Meu nome não é Johnny”). Kika Lopes é a figurinista, Márcio Câmara no Som Direto e Heloisa Rezende, produtora executiva.

E Miguel Briamonte é o responsável pela música tão forte no filme. Ele é do teatro – assim como quase todo o elenco de atores – e “Salve Geral” é seu primeiro trabalho no cinema.

A Produção geral ficou nas mãos de Joaquim Vaz de Carvalho (de “Zuzu Angel”).

Aldeotas traz lembrança para mais perto



As lembranças são fragmentos de como nos entendemos com nós mesmos e, juntas, formam a tal bagagem que carregamos para cima e para baixo. Recordar momentos traz de volta sentimentos, medos e alegrias. E, apesar dos pesares, faz bem. Não seria justo o esquecimento. 

Em Aldeotas, Gero Camilo faz brotar, na platéia, esses questionamentos, tratados com tanta leveza e grandiosidade em um palco praticamente vazio de objetos, mas lotado de texto.

Marat Descartes acompanha Camilo e dá vida a Elias, melhor amigo, desde a infância, de Levi. Os dois passam, juntos, por várias fases e situações, que vão moldando a personalidade e o futuro de cada um. Desde um mundo subterrâneo comandado por uma formiga-rainha até um pai bêbado e violento.

Aldeotas é uma obra necessária. Daquelas que após levantar-se da cadeira do teatro o expectador mais sensível não consegue mais esquecê-la. Lembra e relembra das situações de cima do palco e da sua própria história.

Seu texto e seus movimentos dançam juntos numa sincronia perfeita. E os atores, responsáveis por conduzir a plateia, não nos deixam piscar um segundo sequer, causando um envolvimento involuntário.

Tal envolvimento foi, em seu início – e somente no início -, afetado por um simples detalhe que pode ter causado uma mancha na imagem da Virada Cultural em Bauru. O espetáculo estava programado para começar às 15h e o teatro só se abriu por volta das 16h30.

Entretanto, os artistas não carregam a culpa e por isso, nada disso foi levado em conta durante toda a apresentação.

A peça

Gero Camilo é o roteirista de Aldeotas, que nasceu de uma viagem do ator à sua terra natal, Fortaleza. Entre a emoção de voltar às origens e a dúvida de retornar à vida conquistada longe dali. “Quando me formei, não sabia se ficava na minha cidade ou na cidade alheia. Aí eu resolvi, dramaturgicamente, escrever uma peça que me possibilitasse colocar esta questão em cena.”, explica Camilo.

A maneira como ele encontrou de representar a dúvida o fez priorizar o ator, o texto e a iluminação, deixando o cenário para outros planos. Um tapete branco serve como palco para diversas situações e lugares. A tela branca brinca de céu com cor de céu e céu com cor de cor de céu. E papéis espalhados completam a intenção.

“No teatro, o necessário é o ator. Acima de tudo, é importante o corpo humano para daí, criar-se o imaginário.”, ressalta o ator.

A direção de Aldeotas está nas mãos de Cristiane Paoli-Quito, professora de Camilo durante a faculdade e ganhadora do Prêmio Shell por este espetáculo.

As várias leituras de "Minhas Criadas"


Na tarde de sábado, antes mesmo da Virada Cultural começar de fato, a Livrevista conversou com a Cia São Genésio, que apresentou a peça "Minhas Criadas", no Teatro Municipal. O diretor Antonio Apolinário e as atrizes Rita Oliveira, Lya Bueno e Daniela Varotto, falaram das inúmeras questões que envolvem a história deste espetáculo durante as preparações para a aprensentação.

Como surgiu a peça “Minhas Criadas”?
Antônio Apolinário – Eu me formei pela Universidade Federal de Ouro Preto e quando estava lá, participei de uma peça chamada “Criadouro”, que foi o TCC de uma amiga. O William (roteirista) morava na mesma república que eu e vendo toda a movimentação ao redor desse trabalho escreveu um texto com base na “Criadouro”, que era baseada na obra de Genet. Essa peça que ele fez foi o “Minhas Criadas”. O texto ficou comigo e depois de um tempo, quando já estava em Campinas, resolvi fazer uma leitura desse trabalho para ter uma outra visão do processo. Um olhar de direção, por que depois eu fiz bacharelado em direção. Fiz, então, a leitura com duas atrizes de Campinas e com a Rita, que hoje é uma das atrizes da peça. Resolvi fazer isso por que essa história me pegou tanto, o processo em Ouro Preto foi tão forte. Mas acabou que não foi pra frente e não se montou. A Rita ficou com o texto e também se contaminou. Passaram-se três anos e ela resolveu fazer o projeto.

Rita Oliveira – A gente trabalhava junto em um espetáculo de entretenimento e queria algo que tivesse mais a ver com a nossa cara, como atriz. E o Apolinário tinha me apresentado esse texto do William e como nós três (Rita, Daniela e Lya) tínhamos interesse em fazer um trabalho mais embasado na pesquisa, que tivesse um texto mais forte, eu mostrei esse projeto para elas e todas abraçaram a ideia. Aí, nós montamos tudo e mandamos para a lei do incentivo. Saímos do nosso emprego e acreditamos nisso. E encontramos um patrocinador que acreditou na gente. A nossa base é a cidade de Hortolândia, completamente fora do eixo, e acho que isso foi um dos pontos que ajudou o patrocinador a apostar na gente. Esse foi um dos argumentos que usamos nesse projeto: fomentar o trabalho no interior e, principalmente, em uma cidade que nem teatro tem. Cada uma de nós estudou teatro em outras cidades. Porque em Hortolândia não tem uma cultura de ir ao teatro. Não tem ninguém que vive disso. Foi uma união nossa. Inicialmente a direção era do Daniel Plá, mas ele teve que sair por causa de um trabalho e aí quem mais poderíamos chamar se não o Apolinário?

Apolinário - E acabou que chegou de novo, a história deu um retorno e voltou. Eu acho que a dramaturgia me escolheu de novo. Quase que um eterno retorno. Acabei assumindo a direção e o figurino, que é uma das minhas áreas de pesquisa, o figurino como elemento dramatúrgico. O figurino diz. Tudo diz. E a pesquisa cenográfica também acabou ficando na minha coordenação. Eu estava de passagem e fui pinçado para a peça. Às vezes a gente é escolhido.

Rita Oliveira - O projeto só foi viabilizado no ano passado e a gente estreou em outubro, em Hortolândia, nos anfiteatros das escolas municipais. 

O que mais chama atenção na história na qual a peça é baseada e na própria história e estética de “Minhas Criadas”?
Apolinário - A história eu já conhecia, que é o crime das irmãs que deu origem a “As Criadas” de Genet e é um tema recorrente. Eu gosto muito da questão da metalinguagem, é uma das coisas que me fascinam muito em dramaturgia, em texto, no teatro, no cinema também. É uma das questões do teatro do absurdo que me interessam muito. E tem isso nesse texto. Por isso que resolvi que queria dirigir. Por que fica a questão da história real. Como é que acontece? São duas pessoas que trabalham em uma mesma casa, duas irmãs. França, antes da guerra. Pessoas aparentemente simples. O que fica no ar, o que faz? Por que acontece essa explosão de repente? O homem selvagem, de repente, é capaz dessa monstruosidade, daí onde tudo era paz. Minha pergunta até hoje é o que aconteceu de fato? O que a patroa fez que chegou a isso? Não se sabe o que aconteceu. O que temos de real é o crime. É um tema clássico. Eu não saberia responder por que um tema sempre retorna, por que esse assunto alimenta tanto a dramaturgia. Além de tudo, também tem uma luta de classe. Talvez o clássico tenha essa coisa interessante de sempre retornar, dá margem para o teatro, para o cinema, para a literatura.

Rita Oliveira - O texto foi criado a partir do mesmo fato que inspirou Genet, mas não é o texto do Genet. O William se baseou na história, só que ele criou em cima. Não é o fato, nem Genet. A madame de “Minhas Criadas” é a representante do olho que tudo vê. Ela é quem controla tudo. É quase um BigBrother. Ela monitora as empregadas, quer massacrar as meninas pelo dinheiro e pelo intelectual. A briga é intelectual.

Lya Bueno - Tem que colocar as criadas no lugar delas para nunca quererem tomar o lugar da madame. Ela (madame) sabe que as meninas não tem para onde ir, por que ela é tudo o que as meninas tem.

Rita Oliveira - A madame lê o fato real e decide que na história dela isso não vai acontecer. Ela tem o controle.

Apolinário – Taí a questão da metalinguagem, o texto conversa com o próprio texto.

Rita Oliveira - A France e a Irani são irmãs e tem uma relação quase incestuosa. A France é a mais sensível e tem um affair fora da casa, o que muda o relacionamento da irmã. A Irani também exerce um poder com a France, pelo intelectual. O dominado também quer ser o dominador. Elas brincam de ser patroa e também não são flor que se cheire. 

Daniela Varotto - A Irani faz o mesmo papel da patroa em cima da France. E a madame fica assistindo as duas se engalfinharem.

Lya Bueno - A madame assiste e brinca com tudo.

Rita Oliveira – Ela quer é ver o circo pegar fogo.

Apolinário - E alguém faz isso com a gente. Quem dirige quem? Quem olha quem? Todo mundo responde a uma censura. 

Rita Oliveira - A briga pelo poder é inerente a uma pessoa.

Daniela Varotto - A questão não é o dinheiro, é o poder.

Rita Oliveira - Tem a metalinguagem, o teatro dentro do teatro. Elas estão submissas só porque a situação exige.

Apolinário - A pergunta se abre, o que faríamos se estivéssemos no poder? A gente critica o poder, mas o que faríamos se fosse a gente? O que eu acho mais interessante é a questão da liberdade, questão do subtexto, o que tem nas entrelinhas. Você acha que pode tudo. Você faz tudo aos olhos da madame. Quem é a madame? Quem nos vê? A questão do poder. Aí já é história. Não é luta de classe, não é o drama convencional. O que eu posso? O que contempla? É um exercício contar essa história. De linguagem, de atuação. E parece que não se fecha. Não considero um espetáculo fechado. Para mim ele vai sempre abrindo, você vai tentar sempre aparar, mas vai ter sempre alguma coisa que foge. Tem o meu subtexto, tem o subtexto das atrizes. Tudo vai se unindo. Mistura todas as linguagens e o que você vê é algo híbrido e nem eu sei dizer exatamente o que é. A peça é uma pesquisa em progresso, por causa de todas as questões que lhe atravessam. Há o elemento de estranhamento, um quase inacabamento. Há refinamento, mas acontece a junção da composição dos temas. Você trabalha esse estranhamento no ator também. Adoro ouvir “nossa, tem algo muito estranho”. Adoro esse choque entre o sublime e o grotesco. Não tentar resolver o choque é justamente aí que tem o estranhamento. Não querendo ser sublime, acaba sendo. A estética permeia muito o meu trabalho. O teatro da caixa vai escapulindo de mim. Uma estética vai contaminando a outra. Parece que quer explodir. Mesmo que esteja no palco, não tem a quarta parede.


Em “Minhas Criadas”, a madame representa algo maior?
Apolinário - Essas mídias que nos observam. Tudo o que você faz, tem um email, um blog, um Orkut. Aquilo não é real, mas o peso que você dá para aquilo parece que é verdade absoluta. Não passa de um simulacro. Você cria outra persona para viver tudo isso. Eu tenho Orkut, é uma loucura. Você tem que alimentar o bicho. Imagina você não ter o que dizer? Você não tem tempo mais para ler um livro, um clássico. A coisa vai fragmentando. Tudo é muito fragmentado. Você cria uma identidade. Você mesmo não é. Parece que essas mídias tem mais peso do que o real. Você precisa criar algo imaginário para ter suporte. A realidade é mesmo muito dura. Deve ser por isso que a telenovela faz tanto sucesso. Nosso folhetim é eletrônico com horário sagrado. O que isso gera? Tenho algumas desconfianças. Isso muda o comportamento das pessoas. A belezinha é a sagrada da casa.

De que forma o público entende a peça “Minhas Criadas”?
Apolinário - Eu acho que algumas pessoas, não todo mundo, mas cada um faz uma leitura. Eu não sei como chega, por onde atinge. Mas acho que todo mundo tem uma leitura. Cada um lê e tira. Longe de mim querer deixar tudo claro. É preciso que o público faça essas leituras. A leitura da encenação. A leitura das atrizes, do figurino, da iluminação. A gente trabalha com signo. Tem muito signo. Eu acho que não tem nada dizendo “é isso”. Tem algumas questões que eu coloco, mas nada “é isso”. Eu preciso que o público leia de uma maneira. O público precisa ler a peça. Eu acredito muito na formação de plateia. Você vai educando, criando. Sempre alguma coisa fica em cada pessoa. Eu fico sempre na platéia e observo reações bem diferentes. É não estar fechado. É um aprendizado, uma troca com o público. O espetáculo é sempre diferente. Cada público é diferente. Tem que ser troca. A moeda corrente é a troca com o público, com os artistas.

Daniela Varotto - Cada público tem uma especificidade diferente. Uma dificuldade diferente.

Rita Oliveira - Tem plateias adultas mais difíceis e mais fáceis. E tem plateias infantis mais difíceis e mais fáceis. O público da escola particular que está mais acostumado e vê teatro uma, duas vezes por ano, é uma resposta. E o público de escola pública que raramente ou nunca foi, é outra resposta. No comportamento e na disposição é diferente. Tem público que é mais popular, tem outro que é mais crítico. Fazer em Hortolândia para um público que não esta acostumado é uma coisa, fazer em São Paulo é outra.

Lya Bueno - Tem diferença em todas as idades e lugares.

Rita Oliveira – Gente, né? Falou que é gente, já é diferente.

Há influência da televisão na cultura de ir até o teatro?
Apolinário - De qual TV que estamos falando? Da aberta? Mas existe TV aberta? A gente vem de uma tradição de telenovelas. Se vende um formato já muito fechado. É isso e acabou. Eu quero que o público que vê novela pare um pouquinho e veja a peça. E cada vez vai pegando alguma coisa. É um trabalho de formiguinha. Não é todo mundo que tem esse olhar de construir uma obra que funcione como formação também. O pensar como a informação chega no público é super importante.

Rita Oliveira - A facilidade de entendimento do que está sendo visto na televisão é muito grande. Não exige nada de reflexão. É tudo muito pronto. E o espetáculo traz a proposta de não tão pronto assim. O espetáculo não trabalha dentro de uma lógica realista com começo, meio e fim. Ele causa estranheza e faz você refletir. Apesar de ter uma televisão no palco e brincarmos com isso, não traz a lógica da historinha. Trabalha o oposto disso.

Apolinário - Vem de um mundo fragmentado, de uma educação de fragmentos, mas se pegar a história fragmentada e colocar no palco, a pessoa estranha. É um provocar se provocando. 

Rita Oliveira - Tenta vender um espetáculo para uma escola, cobrando 5 reais por criança e você ouve que não dá, porque eles vão pagar 40, 50 reais para ir no Playcenter.

Daniela Varotto – Ou as crianças vão preferir gastar em lanche.

Rita Oliveira - Mas isso vem da própria direção da escola, do educador não fazer o trabalho de mostrar a importância do teatro, do quanto as crianças também podem se divertir, aprender e evoluir. Não que brincadeira não faça aprender e evoluir. Mas precisava haver um equilíbrio. 

Lya Bueno - E essas crianças crescem, né?

Apolinário - A televisão tem um papel, tem uma força que poderia utilizar. Ela entra sem você querer. O que ela vem fazendo? Ela só faz para manter o seu público e não para educar.

Lya Bueno - Hoje é muita rapidez de informação. Não é só televisão. O próprio cinema perdeu público. Eles tiveram que rebolar para levar as pessoas de volta. O acesso está fácil a muita coisa.

Daniela Varotto - E as pessoas não tem essa necessidade, essa cultura de parar, sentar e assistir a uma hora de espetáculo.

Lya Bueno - Ninguém quer parar.

Apolinário – E por que a televisão vai divulgar algo que não atinge a grande massa?

Lya Bueno - Você tem que vender a alma para divulgar em grandes mídias. As vezes o grupo é mundo bom, mas não tem estrutura para fazer esse tipo de divulgação. Já tentei divulgar peças pela internet, mas é tanta coisa rolando.

Rita Oliveira - Eu acho que a divulgação é uma das menos responsáveis.

Daniela Varotto - É cultural. Mas o perfil está mudando.

Apolinário - Não é imediato, mas uma hora você vai ter alguma resposta. Mas para que se tenha resposta são necessárias as perguntas.

Como é viver – e sobreviver – de teatro no Brasil?
Apolinário - Há dificuldade de fazer teatro no mundo inteiro. Está uma crise. Já foi o tempo em que se conseguia viver de bilheteria. Global consegue, mas depende de quem. É tudo patrocínio. A pessoa vai ver o artista, não a peça. Vai da popularidade do artista. É válido, mas nem assim a coisa está boa. Tem alguns grupos que conseguem, mas é um risco tremendo. “Minhas Criadas” só foi possível por que foi aprovada em duas leis e conseguiu captar recurso. E só está aqui hoje por causa disso, dessa parceria entre público e privado. 

Daniela Varotto - Outros artistas falam que lá fora não é diferente daqui. Eu acho que em alguns lugares há uma cultura maior. Mas diminuiu muito.

Lya Bueno - Nos lugares onde se consome muito, se produz muito. Tem uma sobrecarga de artista e a maioria não tem trabalho. Tá difícil em todo o mundo.

Qual a influência que a Virada Cultural provoca na divulgação da cultura?
Apolinário - A virada é uma oportunidade. Não sei o que acarreta. Mas você poder ter contato com várias linguagens, vários estilos. O público ter essa oportunidade é fundamental. A cultura é competência do estado. O estado tem que fomentar esse olhar para o público. E aí você vai ver várias linguagens e vai se identificando. Vai criando um olhar, um desejo estético. É fundamental. Move muita coisa. E as trocas entre os artistas participantes, dos encontros dos que produzem, vão surgindo coisas novas. Surge uma comunicação de todo mundo que está envolvido. É muito rico. Antes de qualquer dogma e partido. Tem que acontecer e perceber.

Uma atriz única

Cinema Paradiso


Ser a mais indicada ao Oscar não é para qualquer um. Na verdade, isso é privilégio de somente uma pessoa até hoje: Meryl Streep. 

Lenda viva do cinema, Mary Louise Streep, nasceu dia 22 de junho de 1949, na cidade de Summit, em New Jersey (EUA).  Filha de Mary Streep, artista gráfica, e Harry William Streep, um executivo farmacêutico, Meryl foi criada ouvindo sua mãe cantar ao lado do piano no qual seu pai tocava. Com esse costume desenvolveu uma paixão por ópera, que leva até hoje, mas que a levou conhecer o teatro.
Seu período de escola ocorreu em Bernards High SchoolBernardsvilleNew Jersey, junto com seus dois irmãos, Dana e Harry, mais novos.

Em 1971, tirou o bacharelado em Teatro na Vassar College e em seguida se formou em Música, Arte Dramática e Ópera na Universidade de Yale, que de forma ambiciosa, chegou a participar de mais de 40 peças de teatro.

Assim que se formou foi para a cidade de Pheonix, aonde trabalhou no Theatre Repertory Company, e por seu trabalho ganhou um dos primeiros prêmios importantes, o Outer Critics Circle Award; além de ter sido indicada ao Tony Awards.
Foi com o filme “Julia”, de Fred Zennemann, em 1977, que Meryl Streep fez sua estréia no cinema, sem saber que se tornaria uma das melhores no ramo.

O ano seguinte foi estrelado para Meryl. Participou da minissérie de TV Holocausto e ganhou mais um prêmio, o Emmy de melhor atriz. Ao lado de Robert DeNiro, em “O Franco Atirador” seu papel era pequeno, mas ganhou tanta força, que recebeu sua primeira indicação ao Oscar. E se casou com o escultor Don Gummer, no dia 30 de setembro, com quem mantém um casamento consolidado até hoje.

Muito reservada na sua vida particular, faz questão de manter sua família longe da mídia. Tem quatro filhos com Don Gummer: Henry (1979), Mary Willa (1983), Grace Jane (1986) e Louisa Jacobson (1991). Os dois primeiros seguiram a carreira da mãe, porém não com a mesma intensidade. Henry é ator, diretor e músico, atuando mais na última profissão. Mary Willa é atriz da Broadway, conhecida mais pelo nome de Mamie Gummer, e já fez um filme com a mãe, “Ao Entardecer”, interpretando a versão jovem de Meryl.

Sua primeira estatueta dourada veio em 1979, com o filme “Kramer vs Kramer”, onde interpretou a esposa de Dustin Hoffman. Em 1982 recebeu seu segundo Oscar, pelo dramático filme “A Escolha de Sofia”. Seu papel era de uma polonesa que para escapar da perseguição nazista, foi obrigada a desistir de um de seus filhos.

A carreira de Meryl Streep não foi sempre tão meteórica. No início dos anos 90 ela recebeu duras críticas, como a da atriz Katharine Hepburn, que afirmava que Meryl era extremamente técnica e sem emoção, e alguns críticos também chegaram a afirmar isso. Durante essa situação, Meryl Streep não encontrava papéis à altura do que estava precisando, até que em 1995 atuou em “As Pontes de Madison”, com Clint Eastwood e silenciando seus críticos, recebeu uma indicação ao Oscar.

Em 2000 finalizou mais uma briga, dessa vez com Madonna. No filme “Evita”, no ano de 1996, Meryl Streep perdeu o papel principal para a cantora e chegou a declarar que seria melhor que Madonna nas cenas de canto. No ano de 2000 ela estrelou o filme “Música do Coração”, ganhando o papel na frente de Madonna e recebendo uma indicação para o Oscar.

Durante a sua preparação para “Música do Coração”, Meryl Streep aprendeu a tocar violino durante oito semanas, ensaiando seis horas por dia. Seu perfeccionismo na preparação e imersão em seus personagens é uma de suas características admirada por muitos companheiros de cena.

Meryl Streep pode ser considerada um legado do cinema mundial. Seja na comédia ou no drama, ela mostra que além de muita técnica – o que é muito necessário – também tem profissionalismo e dedicação. Meryl é certeza de sucesso e de grande bilheteria. E para não perder o costume, a presença na maior noite de gala do cinema.

A mais simpática das namoradas



Na década de 90, Sandra Annette Bullock entrou para o rol das “namoradinhas dos EUA”, com o filme “Velocidade Máxima”. Entretanto, não foi de um dia para o outro que isso aconteceu.

Sandy (apelido de Sandra) nasceu em 1964, na cidade de Arlington, no estado de Virginia, nos Estados Unidos. Filha de Helga Meyer, uma cantora de ópera alemã, e John Bullock, um professor de técnica vocal do Alabama (EUA), Sandra Bullock teve uma infância agitada. Ela e sua irmã Gesine Bullock se dividiam entre Arlington e Salzburg, na Áustria, devido aos compromissos da mãe.

Desde pequena ela teve contato com o palco, e sempre fazia participações nas peças de ópera de Helga. Em 1982, se formou no colegial, na escola Washington-Lee High School, em Arlington, e logo em seguida se mudou para o estado da Carolina do Norte, onde quase terminou o curso de artes dramáticas na East Carolina University. Sandra resolveu tentar a sorte como atriz em Nova York a três créditos de terminar a faculdade.

Já em Nova York, Sandra Bullock arranjou um emprego de garçonete para pagar as aulas de teatro com Sanford Meisner, que ensinou atores como Robert Duvall, Diane Keaton e Joanne Woodward.

O começo da fama

Seu primeiro trabalho notado pela crítica americana foi em “No Time Flat”, na Broadway, em 1988. Após um tempo considerável na “big city” e alguns papéis secundários, ela decide ir para Los Angeles/Hollywood e correr atrás de vez da sua carreira como atriz.

Na capital do cinema, Sandra conseguiu um papel no filme “Working Girl”, que a NBC iria lançar baseado na série “Uma secretária do futuro”. Mas o longa foi cancelado antes de começar a produção.

Isso não abalou o objetivo da atriz, já que não estava muito contente com esse papel. Em seguida participou do filme para TV “The Preppie Murder, com William Baldwin, além de vários outros de orçamentos menores como “Fire in the Amazon e “Who do I gotta Kill.

Depois de várias tentativas para se lançar como atriz, foi em 1992 que sua chance chegou. Junto com o ator Tate Donovan, com quem teve um relacionamento de três anos, Sandra foi destaque no filme “Poção de Amor Nº 9. No ano seguinte atuou em pelo menos cinco filmes. Na ficção “O Demolidor, ela substituiu Lori Petty e contracenou com Sylvester Stallone. Joel Silver, produtor desse filme, gostou tanto do trabalho de Sandra que a indicou para Jan De Bont, que estava na pré-produção do filme que seria o lançamento de Bullock.

O sucesso
 
Em 1994, Sandra Bullock era a atriz do momento. Junto com Keanu Reeves e Dennis Hopper, “Velocidade Máxima faturou 120 milhões de dólares e foi um sucesso de bilheteria e público, transformando sua estrela principal em atriz de primeira linha na tão aclamada Hollywood.

A partir desse filme, Sandra estrelou vários outros, tanto em dramas quanto em comédias-românticas, na qual é mais aclamada. “Enquanto você dormia (que faturou 85 milhões de dólares e rendeu alguns prêmios), “A Rede”, “Corações Roubados”, “Tempo de Matar” e “No Amor e na Guerra” foram alguns dos seus sucessos seguintes.

Seu primeiro fracasso considerável – depois de “Velocidade Máxima – foi justamente a continuação: “Velocidade Máxima II, que não contou com a participação de Keanu Reeves.

A empresária Sandra Bullock

No meio de grandes sucessos e algumas decepções, Sandra Bullock resolve criar sua própria produtora, a Fortis’Films, que tem sua irmã-advogada, Gesine, como vice-presidente. Com a Fortis ela produziu filmes como “Quando o amor acontece, que foi dirigido pelo ator Forest Whitaker, “Da Magia à Sedução, com Nicole Kidman novinha, e o curta-metragem “Making Sandwichesque contou não só com a produção de Sandra, mas com roteiro e direção dela; o curta foi apresentado no Festival de Cinema de Sundance.

Seu sucesso seguinte foi “Forças do Destino, com Ben Aflleck e o desenho “O Príncipe do Egito, de Steven Spielberg, no qual dublou a personagem Miriam. Em “28 Dias apresentou um personagem mais dramático, e em “Miss Simpatia caiu de vez nas graças do público, demonstrando que tem espaço garantido na comédia.
Até 2005 lançou 4 filmes, sendo 3 deles bem conhecidos: “Amor à Segunda Vista, “Cálculo Mortal e “Crash – No Limite. O ano de 2005 foi bem importante para Sandra Bullock por dois motivos: lançou “Miss Simpatia 2” , que como o primeiro teve grande sucesso; e casou com o também ator, Jesse James, com quem está atualmente.

Em 2006 teve seu reencontro com o ator Keanu Reeves no romance “A Casa do Lago”. Em 2007, no filme “Premonição mostrou um lado mais sombrio.

Este ano vemos Sandra Bullock no filme “A Proposta, com Ryan Reynolds, uma comédia-romântica que traz um mix de outras fórmulas que deram certo, mas como sempre, Sandra afirma sua condição de comediante. Até o fim de 2009 estão previstos mais dois lançamentos: o drama “The Blinde Side e a comédia “All About Steve, com Bradley Cooper.

O Touro, as eleições e as consequências


Você sabia que 2009 é o ano do Touro, segundo o horóscopo chinês? Pois é. Esse robusto animal representa o trabalho, a paciência e a prosperidade. No horóscopo ocidental (gêmeos, libra, capricórnio) o signo de touro representa a pessoa persistente, trabalhadora, que se adapta às circunstâncias. E por mais irônico que possa parecer, o touro também representa o coração do capitalismo estadunidense, a Wall Street, onde faz pose um enorme touro de bronze.

Esse último touro está dando muito trabalho para o mundo inteiro, principalmente para sua gestora. Aqui no Brasil até pouco tempo atrás tudo não ia passar de uma “marolinha” como disse o presidente Lula. Mas agora, podemos ver as consequências chegando. Elas ainda não entraram pela frente, mas estão lá, tentando derrubar nossa porta. 

De acordo com o deputado federal José Eduardo Cardozo, do PT, “bem sabemos que esta [crise] não tem origem no Brasil, mas dada a globalização acaba afetando todos os países. Tudo indica que o Brasil será um dos menos afetados, mas manter o crescimento econômico, ainda que a taxas menores, é um dos grandes desafios”.

Uma das principais consequências projetadas é o nível de desemprego, que promete ser muito grande. Na imprensa estão falando em cerca de 600 mil só em dezembro, mas até o fechamento desta matéria isso ainda não foi confirmado pelo Ministério do Trabalho. 

Há outros problemas que devem surgir com a chegada da crise no Brasil. O país deve sofrer uma desaceleração, pois toda a economia está ligada. O economista Reinaldo Cafeo não tem duvidas em relação às conseqüências, mas tem esperanças: “será um ano de desaceleração, queda do nível de atividade e aperto no emprego. Havendo irrigação de recursos externos (espera-se rápida recuperação dos EUAs) poderemos ter números e um cenário melhor no segundo semestre deste ano”.

Para os petistas é essencial um bom enfrentamento da crise, visando, claro, 2010. Esse ano antes de tudo no Brasil será um aquecimento para as eleições presidenciais do ano que vem. A forma como cada situação lidará com as conseqüências da crise será decisivo para a decisão dos candidatos e a escolha da população.

As apostas já começaram. Nomes estão disputando atenções, enquetes, pesquisas e aliados. Do lado do governo surge Dilma Roussef (PT), ministra da Casa Civil e segundo Lula a “mãe do PAC” e Ciro Gomes (PSB), atual deputado federal, que chegou a concorrer com Lula à presidência em 2002. Do outro lado existem dois nomes fortes, ambos do PSDB: José Serra, atual governador de São Paulo e Aécio Neves, atual governador de Minas Gerais.

Apesar da pressa do PSDB em escolher um dos dois para representar a legenda em 2010, ainda vai demorar a ter certeza das decisões. Tudo depende de como cada um deles vai se sair esse ano, nas pesquisas, principalmente. Cada político no seu galho, eles vão promover uma disputa “underground”, até tudo ficar mais claro para todos.

O deputado José Eduardo Cardozo ainda revela outros nomes que estão sendo cotados dentro do próprio PT: “As discussões sobre a sucessão presidencial em 2010 estão começando no interior do PT. Surge com força o nome da ministra Dilma Rousseff como candidata. Mas há outros nomes dentro do nosso partido, como os ministros Patrus Ananias e Tarso Genro, e os governadores Jacques Wagner e Marcelo Déda, que têm todas as condições de assumir esta tarefa”. O jeito é aguardar.

Paralelo a todas essas questões que devem ser debatidas o ano inteiro, ainda teremos que ajudar a promover a reconstrução de Santa Catarina, que teve seu litoral devastado pelas chuvas. Só para se ter uma idéia, até agora foram mais de 1,5 milhões de pessoas atingidas pela chuva, desses, 78 mil pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas e por enquanto, 63 municípios decretaram estado de emergência. O governo tem em seu planejamento a liberação de R$360 milhões a Santa Catarina, que serão repassados conforme a avaliação e necessidade dos municípios. Mas não podemos tirar nossa atenção das pessoas que necessitam por lá.

E é por esses e outros motivos que em 2009 todos terão que se comportar como verdadeiros touros para enfrentar os problemas, realizando criativas manobras para sofrer o mínimo possível com as temidas consequências.

Quem pode ser beneficiado?


O Programa Bolsa Família (PBF), do governo federal, tem como objetivo beneficiar famílias em situação de pobreza, ou seja, cuja renda mensal de cada integrante seja de R$ 60 a R$ 120, e extrema pobreza, com renda de até R$ 60 por pessoa.
É viabilizado através de transferência direta de receita, o que está de previsto no Decreto nº 5.749, de 11 de abril de 2006 e com a Lei 10.836 de 2004. Assim, alterações no PBF dependem de aprovação no Congresso Nacional.

O intuito do Bolsa Família é acabar com o ciclo da miséria (que é passada de geração a geração), e é considerado por algumas instituições e entidades, apesar das muitas desvantagens e “buracos” existentes, um dos principais e mais bem sucedidos programas de transmissão de renda do mundo.

O PBF se compromete com a diminuição da pobreza, através do dinheiro que o beneficiado recebe, com a melhoria das áreas de educação e saúde, já que cada município deve cumprir condições impostas pelo governo para receber o benefício, e também, coordena programas adicionais, como o de geração de trabalho e renda, de alfabetização de adultos e o fornecimento de diversos documentos.

Para se tornar um beneficiado do PBF, os interessados devem ser devidamente cadastrados no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e possuir renda de no máximo R$ 120,00. Para calcular a renda per - capita é preciso somar os rendimentos mensais de cada membro e depois, dividir pelo número de pessoas pertencentes à família em questão.

Os benefícios do programa são pagos através dos Cartões do Cidadão, que são enviados pelo correio. Ele é um cartão de débito bancário comum, com conta na Caixa Econômica Federal.

Uma pesquisa realizada pelo Banco Mundial mostrou que na comparação entre programas de diversos países, o Bolsa Família é o de transferência de renda com melhor índice de atendimento dos que realmente precisam.

Mas... funciona ou não?



Muito se se discute a respeito do Programa Bolsa Família: se ele é uma ação que realmente funciona ou se é somente um projeto assistencialista. Mas é difícil haver uma definição correta, pois há muitas variáveis girando em torno do assunto. Os dados e resultados mostram um lado do problema e a realidade pode mostrar outro completamente diferente.

Segundo o sociólogo, Murilo Soares, “o programa beneficia imediatamente a família (inclusive os pais) mas a médio prazo o maior beneficiário é a criança que vai continuar seus estudos e, com isso, terá chances maiores de um futuro melhor. Por isso, não é um programa meramente assistencialista (de distribuição de dinheiro), pois tem repercussões sobre as oportunidades dos jovens.”

O objetivo é que o trabalhador tenha condições de, com seu trabalho, sua carteira assinada, cuidar da sua família, passando a existir como cidadão.

Para a também socióloga, Maria Antonia Vieira Soares, “não há um cidadão consciente que seja contra o bolsa família. Mas isso precisa ser problematizado, pois o programa tem que ser entendido como uma coisa temporária, porque o objetivo é que o trabalhador tenha condições de, com seu trabalho, sua carteira assinada, cuidar da sua família, passando a existir como cidadão. É algo paleativo”.

A preocupação de Maria Antonia é que aparentemente essa situação tende a permanecer, e tem sido compreendida como solução, o que não é verdade, “a solução para a desigualdade, para a exclusão, não é o Bolsa Família, porque ele serve para incluir a pessoa na rede do consumo. Uma questão paleativa como essa é para solucionar uma emergência, algo momentâneo.”

A Diretora do Departamento de Gestão dos Programas de Transferência de Renda da Secretaria Nacional de Renda e Cidadania ligado ao Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Camile Mesquita, ressalta que várias pesquisas mostram a importância do Bolsa Família para a sociedade. Estudos recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apontou que os alunos beneficiários do PBF têm frequência 1,6% maior que os não beneficados.

Já o estudo realizado pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), mostrou que a frequência escolar é de 3,6 pontos percentuais a mais em relação aos não beneficiários.


Pesquisas independentes (como a realizada pela Fundação Getúlio Vargas), mostraram que 25% da redução da desigualdade social alcançada nos últimos anos no Brasil é consequência direta do Bolsa Família.

O senador Cristovam Buarque, em entrevista para o site do Estadão, afirma que o problema é que o programa não tem o foco na educação: ”o ensino escolar é o único caminho para a emancipação dessas famílias. Há uma grande diferença entre pensar 'recebo o benefício porque meu filho vai à escola' e 'recebo porque sou pobre', como ocorre agora”.

Este ano, o governo deve gastar com o PBF cerca de R$11 bilhões, o que representa 0,50% do Produto Interno Bruto (PIB). Desse total, aproximadamente R$10 bilhões são destinados ao pagamento de benefícios diretamente às famílias e R$574 milhões são utilizados na gestão e administração do programa.

Isso mostra que o governo federal está investindo bastante no PBF, contando com o seu sucesso, apesar das inúmeras críticas que tem recebido da oposição e pesquisadores.

Direitos e deveres de quem recebe o Bolsa Família


Os benefícios concedidos pelo Programa variam de acordo com a situação de pobreza em que a família se encaixa. Um deles é o Benefício Básico, no valor de R$ 58,00, dado às famílias em situação de extrema pobreza, independente do número de pessoas na família.

O Benefício Variável é de R$18,00 para cada criança ou adolescente, e também é concedido às famílias pobres e extremamente pobres, que tenham sob a sua responsabilidade jovens de 0 a 15 anos. Ainda é destinado a adolescentes de 16 e 17 anos, só que no valor de R$30,00.

As famílias consideradas em situação de extrema pobreza podem acumular todos os benefícios, ganhando no máximo R$172,00 de bolsa por mês.

Para ter direito ao auxílio, os responsáveis pelo beneficiado ficam com o compromisso e a responsabilidade de acompanhar a saúde de cada integrante da família, participar dos programas de educação alimentar, que são oferecidos na sua cidade pelo governo federal, estadual e também, municipal. E a principal exigência é a permanência das crianças e adolescentes em idade escolar, matriculados e freqüentando o ensino regular.

A presença dos alunos é fiscalizada pelo Ministério da Educação e do Desenvolvimento Social de Combate à Fome (MDS), e se a família descumprir essa exigência por cinco vezes seguidas, ela terá o benefício cancelado.

Para fiscalizar a implementação do programa foi criada a Rede Pública de Fiscalização do Bolsa Família, uma iniciativa que envolve de forma inédita o Tribunal de Contas da União, a Controladoria Geral da União, os Ministérios Públicos Estaduais e o MDS.