Semestre passado foi concedida ao Brasil a nota mínima para possuir o selo de investment grade, ou grau de investimento, tornando o país um local confiável para se investir. Duas das principais agências de classificação de riscos, Standard & Poor’s Ratings Services e Fitch Ratings, passaram a considerar o Brasil como grau de investimento.
O Brasil conseguiu a nota BBB-, avaliação mínima do grau de investimento que tem como topo a nota AAA, concedida a países desenvolvidos, como Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido.
Essa nova nota mundial é um conceito positivo para o Brasil. Segundo o economista Décio Pizzato, as vantagens são muitas: “O país poderá captar recursos no exterior com taxas menores, as poupanças que concentram fundos estrangeiros de pequenos e médios investidores ou os fundos garantidores de aposentadorias terão segurança para investir em títulos da Dívida Pública do Brasil e poderá haver investimentos de longo prazo, em projetos de infra-estrutura ou em outros empreendimentos”.
O também economista e membro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (CORECON-DF), Victor José Hohl afirma que “a elevação [econômica] reflete a maturidade das instituições brasileiras e da política do país, evidenciada pela flexibilidade fiscal, pelas contas externas e pela melhora na perspectiva de crescimento”.
É fato que o governo está acertando na questão econômica, o que levou o país a receber este selo. As contas públicas estão controladas, a balança comercial está com saldo positivo há alguns anos, as importações vêm aumentando – combatendo assim, a inflação. O Brasil se tornou também credor externo líquido, com mais de U$ 200 bilhões em reservas internacionais.
De acordo com o economista e delegado do CORECON-SP, Reinaldo Cafeo “o Brasil passou a construir sua estabilidade em 1994 com o Plano Real. Apesar de não ter realizado as chamadas reformas estruturais, conseguiu-se sair de uma inflação mensal de dois dígitos para uma inflação controlada, anual, abaixo de 10%, chegando atualmente na casa dos 5% ao ano. Apesar de inúmeras crises internacionais e mesmo aqui no Brasil, conseguimos não perder o controle sobre a economia, garantindo os indicadores atuais e com eles a melhoria da percepção externa”.
Por enquanto, tudo são flores para a economia brasileira, mas não podemos esquecer que este selo (grau de investimento) mostra somente uma aprovação no rumo que a economia está tomando, mas não pretende mudar radicalmente as bases econômicas brasileiras. Há muito que se melhorar, principalmente na parte interna do país.
“Não há nenhuma garantia que o Brasil mantenha essa classificação, portanto, deve continuar monitorando de perto a economia”, afirma Cafeo.
Mas afinal, o que é esse tal de Grau de Investimento?
Quando estamos na escola ou até mesmo na universidade ficamos sempre preocupados em passar de ano/semestre, nem que seja em cima da média – 5, 6, chegando à 7 em alguns lugares. Foi isso mesmo que o Brasil fez na disciplina “Economia”. O país se desdobrou para conseguir passar em cima da média e foi reconhecido por isso.
As professoras que aprovaram a economia brasileira são duas agências internacionais de classificação de riscos, Standard & Poor’s Ratings Services e Fitch Ratings. Essas agências são responsáveis por analisar cada país – e até mesmo empresas – e decidir se eles são confiáveis ou não na hora de investir. Elas possuem uma tabela de notas, atribuindo notas altas para países mais seguros e notas baixas para os mais arriscados.
Das três empresas mais importantes somente a Moody’s classifica o Brasil ainda abaixo da média de confiabilidade para dívidas de longo prazo, mas o próximo patamar é o grau de investimento.
A Standard & Poor’s Ratings Services deu ao Brasil a nota BBB- e a Fitch Ratings a nota BBB+. Ambas as notas são ainda muito baixas, representando algo não muito estável, mas ainda assim, confiável.
Para atribuir uma nota, a agência relaciona dois pontos: a taxa real de juros e a carga tributária. Como o país ainda possui uma alta nos juros reais, que prejudica o financiamento público, e têm uma enorme carga tributária, atrapalhando os investimentos, a nota é baseada nos avanços da economia e nas vantagens que o país pode oferecer aos investidores.
Assim, quanto mais seguro uma agência classificar um país, mais dinheiro este recebe a custos cada vez mais baixos.

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